Os efeitos da guerra para o agro

O Brasil e o mundo acompanham atônitos a tensão e os ataques militares da Rússia à Ucrânia. Ainda sem acordo nas negociações, o país liderado por Vladimir Putin intensifica os bombardeios contra a nação ucraniana e nos faz refletir sobre os possíveis impactos deste conflito no agronegócio brasileiro, considerado celeiro mundial na produção de alimentos.

 

A verdade é que os nossos produtores já estão enfrentando um ano muito difícil, com o aumento exagerado dos custos de produção, a estiagem derrubando as safras na região Sul do país e os empréstimos com juros controlados no Plano Safra 2021/22 dependendo de crédito suplementar para serem retomados.

 

Além de acentuar esses fatores, a crise geopolítica gerou um ambiente de tensão no mercado de fertilizantes, devendo interferir na capacidade do Brasil de importar insumos agrícolas do leste europeu e afetando o transporte mundial, seja pelo fechamento de portos ou pela alta do petróleo.

 

Embora ainda não se tenha clareza das consequências para a agropecuária, especialistas avaliam que o aumento do preço internacional das commodities causado pela redução da oferta principalmente de trigo e milho e a intranquilidade dos mercados pode gerar uma compensação ao aumento de custos de produção ou tornar o prejuízo menor para os produtores de grãos, mas, por outro lado, setores como fruticultura, horticultura e pecuária de leite devem ser duramente atingidos.

 

Como os efeitos das guerras não são localizados, as adversidades econômicas também serão sentidas pelos nossos agricultores, que dependem dos adubos russos e, nesse caso, terão de pagar ainda mais caro para comprá-los de outros países. Para cobrir esses custos extras, os preços dos alimentos devem aumentar.

 

Se queres paz, prepara-te para a guerra. O Brasil deveria seguir esse provérbio romano e investir em um mercado interno de fertilizantes, para não ser dependente das importações e, principalmente, para que possíveis embargos não afetem a produção e a segurança alimentar.

Por: Gilkiane Cargnelutti/ Jornalista

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