Santo-augustense relata rotina em meio a conflitos no Oriente Médio

A rotina de quem vive em uma das cidades mais modernas e organizadas do mundo passou a conviver com alertas de segurança, ruídos de mísseis e mudanças inesperadas no dia a dia. Natural de Santo Augusto, a jovem Karolina Niedermayer acompanha de perto o cenário de tensão no Oriente Médio enquanto reside em Dubai, onde vive há pouco mais de um ano.
Atuando como au pair (intercâmbio cultural onde jovens moram com uma família anfitriã no exterior, cuidando das crianças e realizando tarefas domésticas leves em troca de hospedagem, alimentação e uma ajuda de custo semanal), Karolina relata que as primeiras mudanças foram sentidas ainda no ambiente de trabalho. As crianças sob sua responsabilidade deixaram de frequentar a escola presencialmente e passaram a ter aulas online, exigindo maior acompanhamento e adaptação na rotina.
O início do conflito, em 28 de fevereiro, marcou um dos primeiros momentos de impacto direto. Na ocasião, ela estava na praia quando presenciou a passagem de um míssil, o qual, supostamente, seguia em direção a Abu Dhabi. “Logo depois começaram a chegar alertas no celular sobre possíveis ameaças envolvendo mísseis e drones”, conta.
Outro episódio que chamou a atenção ocorreu nas proximidades do aeroporto, quando um fragmento de drone atingiu a área de abastecimento de combustível de uma aeronave. Apesar de não haver feridos, o incidente provocou o adiamento de uma viagem que Karolina faria para Portugal. “Em um dos momentos de maior tensão, um dia antes do meu aniversário, quando um alarme de segurança foi acionado. Na ocasião, destroços de um míssil atingiram três residências e um bairro próximo ao local onde moro, deixando algumas pessoas levemente feridas”, relatou Karolina.
Desde então, os alarmes passaram a fazer parte da rotina. Segundo ela, o som é extremamente alto e costuma gerar apreensão, especialmente durante a noite. Em diversas ocasiões, foi possível ouvir o deslocamento de mísseis e a atuação da defesa aérea. Em alguns momentos, os impactos foram tão intensos que chegaram a provocar tremores na residência.
Uma dessas situações ocorreu durante uma aula de inglês online. “Era por volta das 21 horas e, durante a aula, dava para ouvir claramente os alarmes e os ruídos dos mísseis. A casa chegou a tremer, e até o professor percebeu o que estava acontecendo”, relembra.
Apesar dos episódios, Karolina afirma que não houve mudanças significativas em relação à segurança pública ou restrições de circulação. Segundo ela, as autoridades mantêm alto nível de controle e monitoramento, o que contribui para uma sensação de estabilidade. “A cidade segue com funcionamento normal, com comércio, serviços e circulação de pessoas acontecendo normalmente”, destaca. Mesmo diante do cenário, ela afirma que sempre se sentiu segura.
“Teve noites em que acordei com barulhos de alarmes, mísseis e a casa tremendo, mas ainda assim dormia tranquila, porque sabemos que existe controle da situação”, afirma.
Nos últimos dias, o clima segue de atenção. Segundo Karolina, há um período recente sem registros de ataques na cidade, o que traz certo alívio momentâneo. Ainda assim, a população acompanha com cautela os desdobramentos internacionais. Ela relata que escolas estudam a retomada das atividades presenciais, mas aguardam definições sobre possíveis novos ataques na região.
Contudo, mesmo diante das incertezas, Karolina tem viagem marcada para o Brasil no próximo dia 7. Até lá, segue acompanhando a situação e adaptando sua rotina conforme os desdobramentos do conflito.

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