DORES QUE CURAM | Por Paulo Gigante

Café pra Louco!

Nosso planeta Terra é ainda um embrião diante da eternidade cósmica de outros orbes existentes no universo. Nós habitantes, somos, portanto, seres espirituais que não atingimos sequer a puberdade em nosso crescimento e evolução. Podemos considerar, sem sombra de erro, que em breve adentraremos o que chamamos de adolescência espiritual, uma fase importante, mas que separa os rebeldes e malcriados daqueles que pretendem adiantar-se em sabedoria e atingir a fase adulta com mais equilíbrio.
Chamamos essa nossa fase planetária em que a Terra aos poucos adentra de Regeneração. Nosso orbe naturalmente e gradativamente será um local onde não haverá mais espaço para a falta de amor. Onde a moral cristã irá imperar diante dos velhos costumes. Onde a cultura das vantagens aos poucos dará lugar à cortesia e à generosidade. Onde a perversidade e o egoísmo serão punidos na origem, no germe mental de consciência daqueles que, por vergonha, irão se reformar intimamente.
No entanto, por ora, nos corações onde ainda o amor não constrói e não ensina, a dor assume esse papel. Vivemos atualmente uma fase em que a dor física e principalmente psíquica é a forma mais eficaz de transformação e equilíbrio social. São através de grandes decepções, perdas, lágrimas e arrependimentos que mudamos nossa forma de ser e agir. Somos tolhidos pela régua divina em cada mau criação. Somos resgatados das sarjetas da vida em cada vez que desviamos do caminho.
Viemos das encarnações passadas com muitos débitos, nas quais a maldade nos era ainda o meio de sobrevivência. Estamos hoje resgatando tudo aquilo que pudermos e pagando contas de séculos de desvios morais. Ao olharmos para dentro de nossas mentes, ao vigiarmos nossos pensamentos fica notório o quanto evoluímos nas atitudes, nas reações, mas não o suficiente para removermos de nossos corações todas as inclinações que ainda nos sugerem as más atitudes. Somos ainda carcereiros de nós mesmos!
Verdadeiros monstros ainda habitam a nossa essência imatura. Se fizéssemos tudo aquilo que ainda insiste em passar por nossa cabeça. Se soltássemos o corpo a serviço de nossas más inclinações certamente faltariam presídios em nossas cidades. Bastaria cercar o continente que a justiça estaria feita. Contudo, nessa transformação pela qual passamos, não apenas as leis civis, mas o principalmente peso da ordem maior, divina, nos granjeiam as atitudes. Tememos a justiça de Deus. Nossas paletas não toleram mais a dor das chibatas que outrora nos corrigiam. Certas vantagens materiais e efêmeras no processo da vida já não valem mais a pena.
Contudo, cabe a nós também sermos gratos a Deus pelas formas de cura que nos são devidas. Resignar-se! Enquanto aos homens da lei apenas cabe agir pela vingança, sem equidade e temperança, há em Deus a verdadeira justiça. Temos aquilo que merecemos. Recebemos somente o que plantamos, e nenhum grão a mais. Se ferirmos, seremos feridos. Se maltratarmos, seremos maltratados. Se formos orgulhosos, seremos certamente humilhados. Ninguém fica em débito tampouco em haver.
Entender que nossas doenças do corpo são no fundo, inteligentes processos de cura da alma é depositar em Deus a gratidão e a fé acima de nossos maiores medos. Quantas pessoas somente se corrigem e se convencem dos erros e das faltas no leito de morte da carne? Quantas almas foram salvas quando se despediam da Terra, ao redimirem-se e humilharem-se diante dos que remanescem no cárcere do corpo? Deus é magnânimo, além de nossa compreensão de vida.
Somente a dor tem curado na Terra. Há os que nascem sem poder enxergar. Há os que vêm ao mundo sem poder caminhar. Há os que nunca puderam falar uma palavra sequer. Há os que são amorosos e voltam cedo à casa espiritual e também aqueles que nada aprenderam sobre o amor que envelhecem na Terra até o couro da pele se enrugar (achando que estão em vantagem). Uma coisa é certa e deve ser dita: a dor é o que tem nos mantido no caminho do bem e da luz. Gratidão pelo bem sofrer.

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