Vida religiosa, vertente de convergência familiar em São Jacó

Quem peregrinar pelos caminhos rurais, permite-se constatar a importância da religiosidade dos pioneiros da colonização, identificados com o catolicismo desde os tempos iniciais da ocupação territorial. Escancaram-se ali características dos costumes balizantes, na capela ou na orada, mais do que um espaço para professar a fé, reforçava-se os vínculos sociais. Ao seu retor, da capela ou da orada, surgiam componentes coletivos, como o salão comunitário

No antanho, a capela referenciava um singular ponto de convergência da vida em comunidade. Laborando apenas na dimensão familiar, praticamente isolado em sua propriedade nos confins das longas e vazias distâncias, cercadas pela floresta, a visita do padre e o encontro na celebração impediam que o colono definhasse psicologicamente ou fraquejasse na fé. Pondo-se em estreita comunhão, irmanando-se, as famílias amenizavam, as asperezas do monótono cotidiano, revestindo-se o momento de conteúdo especial. O encontro representava oportunidade rara para a confraternização. Antes e depois da missa, o católico, irmanado, conversava sobre as vicissitudes, fortalecendo-se. Enfim, a resultante humana preenchia um vazio existencial, pois amparo espiritual constituía fonte de vida, guardiã dos valores ancestrais e reforço aos laços afetivos solidamente ancorados na família.
Ao buscar assentos históricos, o pesquisador da ancestralidade daqui acaba estacionando na localidade de São Jacó, interior de Santo Augusto. Encontrará ali, além da centenária escola, um longevo registro sobre os pendores católicos que chegaram com quem abriu espaço geográfico a partir das primeiras décadas de 1800. A paulatina organização agrária e movimentos decorrentes também incluíam a mitigância da fé religiosa. Qualquer espaço minimamente aceitável, a casa de um morador ou uma benfeitoria, por exemplo, concentravam famílias inteiras refletindo sobre a essência da comunhão devocional.
Vencidas as dificuldades primárias, mobilização pela construção da capela entra na esteira do fluxo da colonização, até como preocupação educacional. São Jacó então alinha sua comunidade inculcando-se nos valores humanos que potencializam a religiosidade e a coesão comunal. Nesses componentes vivenciais, os pioneiros começaram a providenciar tudo quanto possível para que a vida religiosa pudesse florescer como vertente de convergência na localidade, além da escola.
Apontamentos históricos localizam o ano de 1936 como o da inauguração da capela de São Jacó. Era uma simples estrutura, toda em madeira, que assumiu a condição de abrigo para os ofícios religiosos. Na década de 1970 providenciou-se a edificação em alvenaria. Duas vezes submetida a danos por vendavais, em 1974 e 1976, foi reconstruída persistindo até hoje.

 

Um lugar que impregna de valores a vida da sua gente

Das origens, apontamentos remetem às décadas iniciais de 1800 quando Francisco de Paula e Silva, o Barão de Ibucuí, foi incumbido de verificar as estradas dos tempos jesuíticos e, simultaneamente, lhe concedida uma sesmaria de campos e matas pelo Governo Imperial, representam o indício da primeira ocupação documentada do Rincão de São Jacob, época em que este vasto território ainda pertencia a Rio Pardo. A partir daí, iniciando o processo de colonização, sequenciando com a demarcação de colônias em curso e a propaganda de terra fértil, muitas famílias sentiram-se estimuladas a buscarem a nova fronteira agrícola daqui, o que evoluiu para a formação da densidade demográfica de São Jacó, hoje localidade do município de Santo Augusto.
Há referências que consolidaram colonizadores, citados pelos sobrenomes Zangerolami, Rosin, Gonçalves, Rodrigues, Saggin, Gonzatto, Costa, Bastiana, Silva, Vianna, Gobbi, Bueno e Chiusa, entre outros, como pioneiros. Mesmo morando dispersos, cada um em sua gleba, alimentaram a concretude do espírito de colmeia para solidificar o caráter de comunidade, os propósitos cooperativos. Além do plantar, do colher e do criar, refletiram sobre eles orientações para a escola e os valores educacionais, bem como preocupação constante com os pendores confessionais, enfim, sobre todos os meios indispensáveis e capazes de estabelecerem vida social, econômica e cultural.
Uma vez garantida a escola e a estrutura de apoio à vida familiar e comunal, a evolução trouxe um conjunto de situações convenientes às exigências do progresso. Era preciso engajar-se, inovar, inclusive transitar sobre o campo político-administrativo. No dia 28 de outubro de 1928, Santo Augusto alcançou a condição de distrito de Palmeira das Missões. Na época, o agrimensor Guilherme Muxfeldt opinou que a sede distrital deveria ser projetada na localidade de São Jacó devido a sua altitude e a panorâmica que permite divisar. Pompílio Silva, como sub-prefeito, não concordou, exigindo que o povoado da Boca da Picada assumisse a referência distrital, desde 1959 a sede municipal de Santo Augusto.
Constelando-se sob a estratégia da maior importância, a estrutura educacional hoje significa o imediato da expressão temporal e da realidade circunstancial mais ampla do lugar. Consiste que, antes de tudo, impregnar de valores a vida da gente de São Jacó se torna o fundamento obrigatório das reminiscências que o centenário da escola evoca.

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