Se cada mulher carrega dentro de si uma história única, algumas trajetórias revelam de forma ainda mais evidente a força, a resiliência e a capacidade de amor que fazem parte da essência feminina. Em meio à rotina intensa e aos desafios que a vida apresenta, muitas mulheres encontram na maternidade uma das maiores expressões dessa força.
A professora, Angélica Fernanda Fuhrmann, de 36 anos, mãe do Jorge Lucas, vive diariamente o de conciliar trabalho, família e os cuidados com o filho, que possui diferentes diagnósticos e exige atenção constante.
Entre as responsabilidades profissionais, as demandas da casa e a dedicação ao filho, ela conta que a rotina exige organização constante e uma grande capacidade de adaptação. Entre as tarefas do trabalho e da casa, há também uma série de decisões e cuidados relacionados à saúde e ao desenvolvimento do filho. “Durante o dia preciso pensar em muitas coisas ao mesmo tempo: o que vamos comer, quais terapias o Jorge irá fazer, lembrar das tarefas do trabalho e nesse meio tempo, lembrar de mim também”, relata. “É tudo muito intenso”, acrescenta.
Ela explica que o nascimento do filho, Jorge Lucas, trouxe consigo um grande impacto emocional. Os diagnósticos de hidrocefalia e da toxoplasmose congênita chegaram logo nos primeiros dias de vida, e trouxeram consigo um dos maiores desafios da sua vida. “Foi um susto imenso. Na época falaram que ele não iria enxergar, não iria andar e até mesmo que poderia morrer. Mas eu nunca desisti, sempre lutei e sempre seguirei lutando pela qualidade de vida do meu filho”, afirma.
Com o passar dos anos, outros desafios foram sendo identificados. À medida que Jorge crescia e passava a conviver com outras crianças, principalmente na escola, algumas dificuldades começaram a se tornar mais evidentes. “Os outros diagnósticos vieram com o tempo, principalmente quando começamos a comparar com os colegas e também pelas dificuldades que ele apresentava na escola. Ele sempre foi muito agitado, nervoso e tinha dificuldades em se manter nas atividades”, explica.
Ao longo dessa caminhada, a família encontrou na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) um importante espaço de apoio e acompanhamento. Jorge frequenta a instituição desde muito pequeno. “Foi na Apae que encontrei auxílio e conforto. Ele frequenta desde os quatro meses de idade e sempre recebemos muito apoio lá”, destaca.
Mesmo diante dos desafios da maternidade atípica, Angélica afirma que também aprendeu a importância de cuidar de si mesma. Ao longo dos anos, buscou encontrar formas de manter o equilíbrio emocional e preservar momentos de bem-estar. “Já fiz terapia, já pratiquei esportes e procuro sempre fazer algo que gosto. Viajar, sair com as amigas, tentar ignorar um pouco a ansiedade… tudo isso também é importante”, conta.
Para ela, uma das maiores lições dessa jornada foi compreender que os momentos difíceis também passam e que é fundamental valorizar as conquistas do caminho. “Aprendi com uma amiga que tudo aquilo que estamos passando hoje, por mais difícil que pareça, no ano que vem pode ser apenas uma lembrança. Tento sempre olhar para tudo de bom que Deus me proporcionou”, reflete.
Ao longo de quase 11 anos dedicados ao cuidado do filho, Angélica afirma que nunca deixou de acreditar na vida e nos sonhos que sempre carregou consigo. “Nunca desisti de viver a minha vida, a vida da Angélica menina que sonhou com tantas coisas. Estudei, tive força e coragem e busquei alcançar quase tudo que visualizei para mim”, afirma. “Temos muitas conquistas, muitos desafios e muitas pessoas para cuidar. Mas nunca podemos esquecer de nós mesmas, de viver a nossa vida, que também tem sonhos e desejos”, finaliza.
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