Soja apresenta desenvolvimento irregular e milho avança para o fim da colheita na Região Celeiro
A produção agrícola no Rio Grande do Sul segue marcada pela irregularidade das chuvas e pelas altas temperaturas, fatores que têm provocado diferenças significativas no desenvolvimento das lavouras. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, esse cenário é claramente observado na soja e no milho, culturas que atravessam fases decisivas da safra, com reflexos diretos sobre o potencial produtivo. Na Região Celeiro, a situação exige atenção, especialmente em áreas afetadas pelo déficit hídrico.
No Estado, a soja apresenta grande heterogeneidade de desenvolvimento, resultado da distribuição irregular das precipitações. Enquanto algumas lavouras mostram crescimento vegetativo adequado e elevado potencial produtivo, outras sofrem com estresse hídrico, inclusive dentro de uma mesma região ou município. Atualmente, a maior parte das áreas encontra-se em fases de alta exigência de água, com 46% em floração e 27% em formação de vagens e enchimento de grãos, o que aumenta a sensibilidade à redução da umidade do solo.
Na Região Celeiro, 20% das lavouras de soja estão em desenvolvimento vegetativo, 48% em floração e 32% em granação. Em grande parte da região, a baixa ocorrência de chuvas já impõe restrições ao potencial produtivo. Por outro lado, áreas beneficiadas por precipitações periódicas mantêm bom desenvolvimento, favorecendo a fecundação e a formação inicial dos grãos. Solos de várzea, mais profundos ou com boa cobertura de palhada apresentam melhores condições hídricas e térmicas, refletindo em maior uniformidade das lavouras.
Os produtores seguem atentos ao manejo fitossanitário, com aplicações preventivas e curativas de fungicidas, diante da pressão de doenças fúngicas, especialmente a ferrugem-asiática, já detectada em diferentes regiões do Estado. Para a safra 2025/2026, a Emater/RS-Ascar projeta no Rio Grande do Sul uma área cultivada de 6.742.236 hectares de soja e produtividade média de 3.180 kg/ha.
Já o milho na Região Celeiro está em fase final de ciclo. Aproximadamente 70% da área já foi colhida, enquanto 25% encontra-se em maturação. A produtividade média registrada é de cerca de 10.200 kg/ha. Em Santo Augusto, as áreas de sequeiro superam 9.000 kg/ha, e as áreas irrigadas alcançam produtividades acima de 13.800 kg/ha, indicando bom desempenho da cultura.
Em áreas de segundo cultivo onde não ocorreram chuvas recentes, o desenvolvimento inicial tem sido prejudicado pela baixa umidade do solo, o que pode comprometer o potencial produtivo.
Quanto ao milho para silagem, a cultura também está em final de ciclo, com mais de 75% da área já colhida, garantindo o abastecimento de volumoso para a alimentação animal.
O cenário reforça a importância do monitoramento constante das lavouras e da adoção de práticas de manejo adequadas, enquanto os produtores da Região Celeiro seguem atentos à evolução do clima nas próximas semanas.
Foto: Reprodução/Botier
