Rodeio crioulo, dias de aconchego tradicionalista na estância

O transitar pelo permeio da Estância de Rodeios em tempo em que se manifesta robusta a impetuosidade altiva da alma gauchesca, a sensibilíssima natureza da gente, transcende o tropel dos cavalos na pista das provas campeiras e a cadência no tablado das provas artísticas. Agasalha, adrede, a magia que matiza as vertentes do tradicionalismo do lugar e à roda do chimarrão evoca raízes avengas protagonizando o que há de mais comovente na gesta campeira, as tertúlias em estreita comunhão nos acampamentos e nos galpões.
Por verter a memória de priscas eras, as tronqueiras, ali preservadas como relíquias, potencializam os valores intrínsecos da tradicional festa campeira, o Rodeio Crioulo de Santo Augusto. Elas sintetizam a cultura de uma região outrora palco de uma das experiências humanas mais ousadas, as reduções jesuítico-guaranis, hoje singular atrativo para quem assimila a importância de deter-se diante da ancestralidade recostando-se em vivências da simplicidade da vida de antanho.
Explosão emotiva na paisagem, quando o dia dardeja e a noite desce, misturando-se à sombra hospitaleira e ao aconchego no passo a passo pela quietude da avenida das figueiras. Nada de exultante, porém. Basta o gostoso gostar da festa do tradicionalismo gaúcho, absurdamente singelo, incomparavelmente singelo neste dadivoso chão e neste universo em que tudo quanto neles se revelam em tempo de rodeio crioulo, no percurso da nossa caminhada histórica e na ternura do coração tradicionalista.

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