Relator da CPMI do INSS inicia leitura de relatório final com pedido de indiciamento de cerca de 220 pessoas

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), iniciou nesta sexta-feira (27) a leitura do relatório final das investigações, propondo o indiciamento de aproximadamente 220 pessoas por suspeitas de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Entre os nomes citados estão parlamentares, ex-ministros, dirigentes de órgãos públicos, representantes de instituições financeiras e empresários. Também consta na lista o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relator aponta que ele teria recebido valores de um dos operadores do esquema, por meio de uma intermediária — fato contestado pela defesa.

Apesar da apresentação do documento, o relatório ainda precisa ser votado pela comissão, que poderá aprovar ou rejeitar as propostas de indiciamento. A análise deve ocorrer até este sábado (28), prazo final para a conclusão dos trabalhos.

De acordo com informações do portal g1, o relatório tem cerca de 4.400 páginas e foi finalizado durante a madrugada. O documento reúne conclusões de quase seis meses de apuração, período em que a CPMI ouviu testemunhas, analisou documentos e autorizou a quebra de sigilos de investigados.

A lista de indiciamentos inclui ex-ministros como Carlos Lupi e José Carlos Oliveira, além de parlamentares como o senador Weverton Rocha e os deputados Euclydes Pettersen e Gorete Pereira. Também aparecem dirigentes e ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, apontados como responsáveis por falhas administrativas e suposta facilitação do esquema.

Segundo o relatório, o grupo investigado teria atuado por meio de entidades associativas que realizavam descontos sem autorização em aposentadorias e pensões, com apoio de agentes públicos e operadores financeiros. O esquema é apontado como bilionário e teria explorado fragilidades no sistema de controle do INSS.

A sessão de leitura foi marcada por tensão e troca de acusações entre parlamentares. Houve interrupções e bate-boca durante a fala do relator, o que levou à intervenção do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que manteve a continuidade dos trabalhos e rejeitou pedidos da oposição para retirada de um deputado do plenário.

A CPMI não tem poder de julgamento ou punição, mas pode encaminhar o relatório ao Ministério Público e a outros órgãos competentes. Caberá a essas instituições avaliar as conclusões e, se for o caso, apresentar denúncias à Justiça.

A comissão foi criada em 2025 para investigar suspeitas de cobranças irregulares em benefícios previdenciários. As apurações tiveram como base investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, que identificaram indícios de fraudes envolvendo associações e possíveis falhas na fiscalização do sistema.

Defesas de alguns citados já se manifestaram. O senador Weverton Rocha negou irregularidades e afirmou que não há provas contra ele. Já os advogados de Lulinha classificaram o pedido de indiciamento como infundado e com motivação política. Outros envolvidos informaram que só irão se posicionar após a eventual aprovação do relatório.

Foto: Reprodução/TV Senado

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