Após cerca de seis meses de articulações discretas, PT e PDT deram passos mais concretos na construção de uma possível aliança para a disputa do governo do Rio Grande do Sul. Em reunião realizada na segunda-feira (16), lideranças estaduais das duas siglas discutiram condições para uma coligação e sinalizaram avanços nas tratativas.
O encontro foi conduzido com cautela e terminou com a manutenção das pré-candidaturas de Juliana Brizola, pelo PDT, e de Edegar Pretto, pelo PT. No entanto, pela primeira vez, os petistas admitiram a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa, indicando um movimento de flexibilização em nome de um acordo.
Durante a reunião, o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Júnior, destacou que o diálogo entre os partidos tem respaldo das direções nacionais. Ele citou conversas entre o presidente do PDT, Carlos Lupi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente petista Edinho Silva, reforçando a busca por unidade.
Representando a campanha pedetista, Vieira da Cunha defendeu a viabilidade eleitoral de Juliana Brizola, afirmando que o partido está unido em torno de seu nome. Ele também garantiu empenho na campanha de reeleição de Lula no Estado, buscando reduzir resistências dentro do PT.
Do lado petista, lideranças como Valdeci Oliveira reconheceram a importância da unidade, mas demonstraram preocupação com a mobilização interna caso o partido não lance candidato próprio. A pré-campanha de Edegar Pretto já percorreu diversas regiões do Estado, o que aumenta o desafio de construir uma alternativa que preserve o engajamento da militância.
O PDT deixou claro que não abre mão da cabeça de chapa, mas sinalizou apoio a nomes do PT e aliados em outras disputas, como ao Senado. Já o PT avaliou possibilidades futuras de reciprocidade, incluindo alianças em eleições municipais.
Um novo encontro entre as siglas está marcado para o dia 25 de março, na sede do PT, dando continuidade às negociações.
Nos bastidores, a articulação ganha força com a orientação nacional de unificar o palanque no Estado. A estratégia é defendida por Lula, que pretende contar com uma única candidatura aliada no Rio Grande do Sul em 2026. A aliança com o PDT é tratada como prioridade pela direção nacional petista.
Apesar disso, o discurso oficial do PT segue sendo de manutenção da pré-candidatura de Edegar Pretto, enquanto o partido organiza sua estrutura de comunicação e mantém agenda no interior.
O cenário ainda envolve desafios, como a resistência de setores internos do PT e a necessidade de acomodar interesses políticos, além de eventuais divergências com outras siglas de esquerda.
Informações: GZH
Créditos: Observador Regional
