Se vivo estivesse, o patrono da Estância de Rodeios de Santo Augusto completaria 101 anos no próximo dia 20 de fevereiro. Ele, Nerci Liberato da Conceição, nasceu em Ijuí, em 1925, de onde, ainda criança, chegaria aqui, construindo sua vida familiar, gerenciou sua sustentabilidade econômica e participou ativamente do movimento tradicionalista. Foi patrão do CTG Pompílio Silva durante quase duas décadas. Esteve entre os tradicionalistas embrionários do Rodeio Crioulo de Santo Augusto em fevereiro de 1979 cujo primeiro evento do gênero aconteceu nos dias 26 e 27 de maio do referenciado ano, na Fazenda Tapera, ali sequenciando até 1983.
Apaixonado pelo tradicionalismo, Nerci Liberato da Conceição, com esforço e dedicação revelou-se simpático pela aquisição de uma área para sediar o Rodeio Crioulo de Santo Augusto. Posta a área, de 26 hectares, concretizou-se a proposta da sua arborização com espécies nativas. Assim se fez. Sob o costado de Odilon Gomes de Oliveira, Cláudio Souza e Idalino Speroni, entre outros abnegados tradicionalistas, o terreno recebeu um traçado específico para cada finalidade: lotes para acampamento, espaço para o estacionamento, estrutura administrativa, pista para as provas campeiras e mobilidade do gado, tendo cada limite definido pela disposição de árvores.
Pela dimensão que alcançou, a Estância de Rodeios tornou-se referência como santuário do tradicionalismo e da cultura gaúcha. Tanto que, de 16 a 19 de maio de 2000, sediou a 12ª Festa Campeira do Rio Grande do Sul. Já pela articulação do então deputado estadual Jerônimo Goergen, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa, somou-se ao Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul, lei sancionada pela governadora Yeda Crusius em 14 de agosto de 2008. Nesse permeio, entre rodeios e movimentos afins, Nerci Liberato da Conceição, até falecer, no dia 30 de janeiro de 2013, manteve sua casa na Avenida das Figueiras, tornando-se um verdadeiro museu campeiro, reunindo um extraordinário acervo histórico-cultural.
Acervo Cultural
No dia 25 de novembro de 2013, a então vereadora Carolina Fragoso Langner (PSD) protocolou na Câmara de Vereadores, sob nº 236, Pedido de Providências com destino ao Poder Executivo para que este “busque entendimento com os herdeiros/sucessores do falecido tradicionalista Nerci Liberato da Conceição no sentido de articular meios legais para que haja a preservação do acervo cultural (museu), abigado na casa que deixou na Estância de Rodeios. É de conhecimento público a expressão da sua importância (do acervo) para preservar a memória tradicionalista de Santo Augusto e região, portanto unge ação real mediata para proteger o patrimônio histórico capaz de fundamentar a sucessão das gerações”.
Ao justificar o Pedido de Providências, a vereadora argumento que “ao falecer no dia 30 de janeiro de 2013, Nerci Liberato da Conceição deixou um depositário da memória que não somente evoca lembranças, mas que, sobretudo, retrata a trajetória do povo de Santo Augusto e da região desde os primórdios da colonização. Conhecer o acervo não só permite retornar ao tempo, permite-nos entender a rudes lidas campeiras, pois responde com precisão às indagações acerca da nossa ancestralidade. As peças antigas representam uma realidade cada vez mais distante da gênese tradicionalista regional. Portanto, entendemos necessário que seja atendido este pedido de forma imediata para que este acervo de imensurável valor histórico não se perca, …”
