O CELEIRO chega aos 56 anos como referência regional em informação

Desde que o alemão Johannes Gutenberg desenvolveu a prensa tipográfica de tipos móveis por volta de 1450, a humanidade passou a registrar e compartilhar conhecimento de forma inédita. A invenção marcou o início de uma revolução na comunicação, permitindo que ideias, acontecimentos e histórias fossem preservados em páginas impressas e levados a diferentes comunidades. A partir dali o jornal impresso tornou-se uma das principais ferramentas para informar, formar opinião e documentar a história das sociedades.
Séculos depois, a essência dessa invenção segue viva em cada edição. O jornal impresso carrega consigo a responsabilidade de registrar o tempo presente e transformá-lo em memória. Em suas páginas ficam guardados acontecimentos, conquistas, desafios e histórias que ajudam a construir a identidade de uma comunidade, por muitas vezes, servindo de fonte para pesquisas dos principais acontecimentos de outrora.
Foi com esse propósito que, no dia 05 de março de 1970, uma quinta-feira, nasceu um veículo de comunicação que há mais de meio século acompanha o desenvolvimento da nossa região. Tipograficamente composto em oito páginas, circulava na cidade de Três Passos a primeira edição do Jornal O Celeiro. Na capa, uma palavra simples anunciava o início de uma trajetória que atravessaria gerações: “Chegamos”.
Na apresentação daquela edição inaugural, o fundador, diretor e editor Benno Adelar Breitenbach dirigia-se aos leitores para apresentar o propósito do novo semanário: informar, aproximar comunidades e registrar os acontecimentos que marcavam o cotidiano regional. Nascia ali um espaço dedicado a contar as histórias da região, dando visibilidade às pessoas, aos municípios e aos fatos que moldavam a vida local.
Contudo, como toda trajetória construída ao longo do tempo, também houve momentos de interrupção. Após deixar de circular em meados de dezembro de 1988, o jornal viveu um breve vazio cronológico de aproximadamente seis meses. No entanto, a história que havia começado anos antes não terminaria ali. O retorno ocorreu em 15 de julho de 1989, já com sede em Santo Augusto, graças à iniciativa dos empresários Pedro Valmor Marodin e Eugenio Frizzo. Revitalizado em sentido e conteúdo, o semanário voltou a circular com 20 páginas, trazendo inúmeras manifestações de prefeitos, vereadores, deputados e empresários que destacavam a importância do retorno do veículo de comunicação social para a região.
Atualmente, sob a direção de Renato Marodin, o qual começou a atuar no negócio da família aos 12 anos, como office boy, hoje segue os passos um dia trilhado pelo pai, Pedro Valmor Marodin. Renato chegou a se dedicar aos estudos, nas áreas de Administração e Direito, e em 2017, aos 33 anos, assumiu a direção deste veículo de comunicação.
Em um tempo marcado pela velocidade das informações digitais, o jornal impresso continua carregando algo que nenhuma tecnologia substitui completamente: a permanência do registro.
Cada página publicada torna-se parte da história — guardada nas casas, nos arquivos e, sobretudo, na memória de uma região que, há mais de meio século, vê no O Celeiro um companheiro fiel na tarefa de contar a sua própria história.

ENTREVISTA

1. O Jornal O Celeiro completa 56 anos de história. Como o senhor avalia a evolução do jornal ao longo dessas décadas?

Renato: “Nós somos testemunha da história regional. Através das páginas do jornal O Celeiro, ao longo desses 56 anos, vimos a ditadura militar, a vitória da democracia, o nascer dos telefones, dos celulares, da internet – mas em todos os períodos conseguimos nos manter essenciais na vida dos nossos leitores, perdurando o nosso compromisso com a informação e com a valorização de toda a nossa região. Hoje, podemos dizer que saímos de uma realidade totalmente analógica, para os desafios de um ambiente digital, com novas exigências, novas formas de produzir e distribuir conteúdo. Ainda assim, independente da plataforma, a essência do jornalismo com responsabilidade ainda permanece. Ficamos muito orgulhosos de poder sustentar e contribuir para a história”.

2. De fato a comunicação passou por muitas mudanças ao longo do tempo, mas como o jornal conseguiu se adaptar a estas mudanças, sem perder a sua essência?

Renato: “A nossa adaptação é constante. Seja com a evolução da forma de produzir, de diagramar ou da escolha das pautas, tudo é feito com o maior zelo e ética possível para que o leitor possa ter acesso a um panorama geral todos os acontecimentos. Hoje, buscamos um equilíbrio entre o impresso e o digital. Porém, independente da plataforma, os princípios são mantidos, o rigor na apuração dos fatos, a responsabilidade no momento da publicação, o respeito aos leitores, tudo isso é igual, seja no formato digital ou analógico. Nosso desafio é nos adaptarmos às novas tecnologias, mas jamais abrir mão dos nossos valores”.

3. Em tempos de redes sociais, informações instantâneas e muitas vezes superficiais, qual a principal diferença na produção de conteúdo?

Renato: “Buscamos sempre fugir desse estereótipo de que o jornal impresso é desnecessário, que toda a informação está na internet. Grande parte do conteúdo veiculado através das nossas páginas do jornal O CELEIRO não está em nenhuma plataforma digital – ele até pode ser publicado, posteriormente em nosso site ou redes sociais, mas buscamos sempre manter a exclusividade, algo salutar para o nosso leitor. Outro ponto que faz com que possamos nos manter relevantes até hoje, é o compromisso de ouvir diferentes fonte e entregar ao leitor um conteúdo completo e confiável. Credibilidade se constrói ao longo do tempo, e esse sempre foi um dos pilares do Jornal O Celeiro”.

4. Na sua opinião, qual é o futuro dos jornais impressos nos próximos anos?

Renato: “O jornal impresso oferece uma experiência de leitura diferente, mais reflexiva e organizada. A tendência é que o impresso conviva com o digital, cada um com sua função. O importante é que o jornal continue sendo relevante, independentemente da plataforma”.

5. Quais foram os momentos ou coberturas mais marcantes na história do jornal que demonstram sua importância para a região?

Renato: “Ao longo de mais de cinco décadas, o jornal acompanhou inúmeros momentos importantes da história regional: eleições, mudanças econômicas, conquistas da comunidade, eventos culturais e transformações sociais. Cada edição acaba sendo um registro histórico. Muitas vezes, quando alguém quer relembrar um momento da cidade, recorre ao arquivo do jornal. Arrisco a dizer que somos a memória viva da história da nossa região”.

6. Manter um veículo de comunicação regional ativo por mais de meio século não é tarefa fácil. Quais são hoje os maiores desafios para o jornalismo regional?

Renato: Os desafios são muitos. O principal talvez seja o modelo econômico, já que os veículos locais dependem muito do apoio da comunidade e dos anunciantes. Além disso, existe a necessidade constante de adaptação às novas tecnologias e aos novos hábitos de consumo de informação. Mesmo assim, acreditamos que o jornalismo regional continuará tendo um papel essencial”.

7. Olhando para frente, quais são os projetos e planos do Jornal O Celeiro para continuar relevante nos próximos anos?

Renato: “O objetivo é continuar evoluindo sem perder nossa identidade. Isso envolve investir em novas plataformas, ampliar a presença digital e seguir fortalecendo a cobertura regional. Queremos continuar sendo uma referência de informação para Santo Augusto e toda a região. Porém, um jornal só existe pelos seus leitores, anunciantes e pela comunidade que acredita no seu trabalho. Esses 56 anos representam a confiança construída ao longo do tempo, pelos quais somos muito gratos. Nosso compromisso é continuar trabalhando com seriedade para informar, valorizar a região e registrar a história da nossa comunidade”.

 

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