Lucas, transforma saudade do pai em inspiração no futsal

Conversamos com o jovem Lucas logo após o jogo e, dias depois, com ele e sua mãe Mara, que contaram como o futebol ajuda a transformar saudade em força.

Durante a última semana, a Rádio Ciranda transmitia o jogo entre ESAF e Derrubadas pela Liga Regional de Futsal de Base quando um momento emocionante chamou atenção: Lucas Gustavo da Rocha, de apenas 13 anos, marcou um golaço na categoria Sub-14 e, ao comemorar, levantou o uniforme. Debaixo da camisa do time, havia outra camiseta com a foto do pai, falecido quando Lucas tinha apenas 8 anos.

Conversamos com o jovem logo após a partida e, durante a semana, voltamos a entrevistá-lo ao lado da mãe, Mara Cristina Sorgetz Rigo da Rocha, para conhecer mais sobre a história por trás daquela homenagem.

Lucas nasceu em Três Passos, estuda no 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Salto Grande, em Derrubadas, e desde pequeno tem o futebol como paixão. Ele contou que aprendeu a jogar ainda no interior da localidade de Três Marcos, quando chutava bola no gramado em frente de casa. Hoje, participa de duas escolinhas de futsal, treina em casa nas horas vagas, é presidente do Grêmio Estudantil e ajuda a mãe nos pequenos afazeres.

Sobre o gol marcado, Lucas foi direto: “Foi uma alegria marcar aquele gol para ele. Sinto que meu pai sempre está presente, cuidando de mim.” O menino se inspira em Cristiano Ronaldo e Vinicius Júnior, sonha em se tornar jogador profissional e assistir um jogo do Grêmio na Arena. “Acho que meu pai ficaria orgulhoso e diria que eu jogo muito bem, porque ele sempre me levava nas escolinhas quando eu era pequeno”, disse.

A mãe, Mara, relembrou como o marido sempre foi presente e como a perda repentina foi difícil. “O Lucas chorava muito e pedia para eu trazer o pai dele de volta, algo impossível para qualquer mãe. Mas seguimos com fé em Deus. Faço tudo que posso para apoiar meu filho, porque sei que esforço e dedicação abrem caminhos.”

Orgulhosa, Mara descreve o filho como um adolescente dedicado e obediente. “Sempre ensino que é preciso saber ganhar e saber perder. A dignidade vale ouro.” Questionada sobre o que o pai diria ao ver Lucas se dedicando assim no esporte, Mara respondeu com firmeza: “Diria para lutar pelos sonhos com empenho e dedicação.”

Mais do que perseguir o sonho do futebol, mãe e filho compartilham um desejo simples: que Lucas encontre uma profissão que ame, seja qual for. E Mara deixa uma mensagem para outras famílias que enfrentam desafios semelhantes: “Apoiem seus filhos. Sem perceber, nos tornamos guerreiros diante dos obstáculos, e referência para eles.”

Lucas segue jogando, estudando e sonhando — sempre com a certeza de que, a cada gol, tem alguém olhando por ele lá de cima.

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