A janela partidária redesenhou o cenário político no Rio Grande do Sul e também em nível nacional, promovendo uma ampla reorganização de forças que já projeta os rumos das eleições de 2026.
Assembleia Legislativa do RS tem nova configuração
A partir desta terça-feira, o plenário da Assembleia Legislativa gaúcha passa a ter uma nova composição. O fim da janela partidária — período em que parlamentares podem trocar de sigla sem risco de perda de mandato — resultou no enfraquecimento de algumas bancadas e no fortalecimento de outras.
O caso mais emblemático envolve o PSDB, que praticamente deixou de existir no parlamento estadual após a saída do governador Eduardo Leite da sigla em 2025. Dos cinco deputados eleitos pelo partido, quatro migraram para o PSD, acompanhando o governador: Valdir Bonatto, Nadine Anflor, Pedro Pereira e Neri, o Carteiro. Já Kaká D’Ávila seguiu para o Podemos.
Outras legendas também perderam প্রতিনিধatividade, como o PRD e o PCdoB, após as saídas de Elizandro Sabino e Bruna Rodrigues, respectivamente.
Por outro lado, o PSD foi o grande beneficiado no Estado. Além de receber os ex-tucanos, o partido incorporou nomes de peso como Ernani Polo e Frederico Antunes, oriundos do PP, e Elton Weber. Também passou a contar com Aloísio Classmann, que deixou o União Brasil. Com isso, a sigla chega a oito parlamentares e se consolida como uma das principais forças da Casa.
Outras movimentações também marcaram o período. O Republicanos ampliou sua bancada com novas filiações, enquanto o PDT ganhou o retorno de Thiago Duarte. Já PP e União Brasil encerraram a janela com perdas e menor representatividade.
Cenário nacional também passa por forte reconfiguração
No Congresso Nacional, a janela partidária também provocou mudanças expressivas. Ao todo, cerca de 120 deputados federais trocaram de partido, evidenciando uma reorganização estratégica com foco nas eleições.
O PL saiu como o principal beneficiado, alcançando a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 100 parlamentares. O PT manteve estabilidade e segue como segunda maior força, enquanto o União Brasil, mesmo com novas filiações, registrou perdas e reduziu seu tamanho.
Outras siglas adotaram estratégias de crescimento ou contenção. O Podemos, por exemplo, apresentou uma das maiores expansões, enquanto partidos como PSD, PP e Republicanos mantiveram relativa estabilidade, priorizando articulações regionais.
No Senado, as mudanças também foram relevantes. O PSD perdeu nomes importantes, como Rodrigo Pacheco e Eliziane Gama, mas recebeu Carlos Viana. Já o PL ampliou sua presença com a chegada de Sergio Moro e Efraim Filho.
Movimentos antecipam disputa eleitoral
As trocas partidárias refletem não apenas reorganizações internas, mas também estratégias eleitorais mais amplas. A busca por maior tempo de televisão, fundo eleitoral e alianças competitivas tem orientado as decisões dos parlamentares.
Além disso, o prazo de desincompatibilização acelerou o cenário político, com governadores deixando cargos para disputar novas posições, incluindo o Senado e até a Presidência da República.
O conjunto dessas movimentações indica que o processo eleitoral de 2026 já está em curso, tanto no Rio Grande do Sul quanto no restante do país. Mais do que mudanças partidárias, o que se observa é uma disputa antecipada por espaço, influência e poder dentro das estruturas políticas brasileiras.
Foto: ALRS
