Inclusão começa com Amor

Mãe relata os desafios desde o diagnóstico até as conquistas do filho e reforça a importância do respeito, da empatia e das oportunidades.

Existem histórias que chegam de forma inesperada, atravessadas por medo, incertezas, trazendo na bagagem um amor capaz de aprender a se reinventar. Para muitas famílias, viver entre desafios e descobertas é a realidade do dia a dia, onde o caminho é construído passo a passo, mas que traz, em cada pequena conquista, motivos imensos para celebrar.
É nesse cenário, feito de coragem e afeto constante, que a Síndrome de Down se apresenta — não como um limite, mas como uma condição que convida ao olhar mais atento, ao cuidado e à compreensão. Para além de um diagnóstico, ela revela o aprendizado e o poder do amor diante das adversidades,
Celebrado em 21 de março, o Dia Internacional da Síndrome de Down surge justamente para dar visibilidade a essas trajetórias. A data faz referência à trissomia do cromossomo 21 e foi reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas em 2012, com o propósito de ampliar o debate sobre inclusão, respeito e garantia de direitos.
Mas, para além das estatísticas e das explicações científicas, são as histórias reais que dão sentido à data, tais como a de Luciana Corrêa dos Santos e seu filho Matheus, de Santo Augusto, que mostram na prática que a inclusão começa dentro de casa — com amor, acolhimento e a certeza de que cada pessoa tem seu próprio tempo, seu valor e sua forma única de viver a vida.
Luciana conta que gestou Matheus muito cedo, e que recebeu o diagnóstico da Síndrome de Down logo após o nascimento.
“Eu descobri o diagnóstico do Matheus após o nascimento dele. No momento em que recebi essa informação, fiquei sem reação e sem saber como lidar, pois eu era jovem, mãe de primeira viagem, e a Síndrome de Down era algo totalmente fora da minha realidade”, relembra.
Os primeiros meses foram marcados por angústia e apreensão. Matheus nasceu prematuro, com apenas sete meses, e precisou ser encaminhado para Passo Fundo, onde permaneceu internado por dois meses. Como se não bastasse, na sequência foi levado para Porto Alegre para realizar uma cirurgia cardíaca, em razão de um sopro no coração.
“O maior desafio foi ver o Matheus com apenas alguns meses de vida estar naquela situação tão complicada e sensível”, conta Luciana.
Após a alta hospitalar, teve início uma nova fase — a da reconstrução da rotina e do desenvolvimento. Ainda nos primeiros meses, Matheus passou a frequentar a Apae, onde recebeu acompanhamento de profissionais e estímulos fundamentais para o seu crescimento. Porém, mesmo com o suporte, os desafios estavam presentes no dia a dia.
“Enfrentei dificuldades relacionadas ao ensino das atividades cotidianas, já que o aprendizado do Matheus acontecia de forma mais lenta em comparação com outras crianças”, explica a mãe.
A inclusão escolar, que deveria ser um direito garantido, também se tornou um obstáculo.
“Passei por muitas situações de falta de inclusão aqui na cidade. Principalmente quando ele começou a frequentar a escola regular. Foi uma época bem complicada, até para conseguir vaga para ele, isso em diferentes escolas da região”, relata.
Contudo, diante das dificuldades, a persistência da família foi determinante. Luciana destaca que nunca deixou de buscar o melhor para o filho, e que cada avanço, por menor que parecesse, sempre foi celebrado com intensidade.
“Cada evolução do Matheus foi uma conquista, desde o primeiro passo, o desfralde, que graças a Deus foi muito tranquilo e super rápido pelas condições dele”, afirma.
Hoje, aos 15 anos, Matheus leva uma vida ativa e cheia de personalidade. “Ele tem uma rotina tranquila, é independente e já realiza diversas atividades práticas em casa. É bastante extrovertido e adora dançar, brincar e conversar”, conta, com orgulho.
Luciana reforça que o apoio familiar foi essencial em toda a trajetória. Segundo ela, Matheus nunca foi tratado de forma diferente dentro de casa — o que fez toda a diferença no seu desenvolvimento. “Ele sempre teve muito amor. Minha rede de apoio sempre foi a minha família, que me ajudou em tudo o que era e é preciso com ele”, disse.
Ao refletir sobre a caminhada, ela deixa uma mensagem que traz o verdadeiro sentido do Dia Internacional da Síndrome de Down.
“A Síndrome de Down não é uma doença, é uma condição genética. Ela não define quem a pessoa é, não limita seus sonhos ou sua capacidade de ser feliz. Independente de qualquer diagnóstico, o que realmente ajuda é o amor, a inclusão e o cuidado necessário, com todo o carinho, para que eles possam viver uma vida bonita, cheia de oportunidades, aventuras e alegria”, finaliza.

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