Diante do aumento de registros de cobras em bairros de Santo Augusto e municípios do entorno, a Rádio Ciranda e o Jornal O Celeiro ouviram o biólogo, zoólogo e herpetólogo Arthur Diesel Abegg, idealizador do projeto “Você Cientista”. O objetivo da entrevista foi orientar a população com informações técnicas e confiáveis sobre a presença de serpentes na região Noroeste do Rio Grande do Sul.
Segundo o especialista, o aparecimento desses animais é comum nesta época do ano, especialmente no fim do verão e início do outono, quando as condições de calor e umidade favorecem a atividade das serpentes. Além disso, períodos de chuva podem desalojar esses animais de seus abrigos naturais, fazendo com que busquem novos locais, inclusive áreas urbanas.
Arthur destaca que, embora existam diversas espécies na região, as que oferecem maior risco de acidentes são as jararacas. No Noroeste do Estado, ocorrem três espécies principais: a jararaca-pintada (Bothrops aff. pubescens), considerada a mais comum e adaptada a ambientes alterados e áreas agrícolas; a jararaca-comum (Bothrops jararaca), menos frequente e mais associada a áreas com vegetação nativa; e a jararacuçu (Bothrops jararacussu), espécie rara, dependente de florestas mais preservadas.
O especialista ressalta que todas essas serpentes possuem peçonha de interesse médico, sendo fundamental evitar qualquer tipo de contato ou tentativa de captura.
Sobre a recente circulação de informações e preocupações entre moradores, o herpetólogo reforça que o aumento de registros não possui relação com fatores religiosos ou crenças populares, mas sim com condições ambientais típicas do período.
Diante desse cenário, a principal recomendação é manter a calma e adotar medidas de segurança. Em caso de encontro com uma cobra, a orientação é não tentar matar ou manipular o animal, manter distância, afastar crianças e animais domésticos e acionar o Corpo de Bombeiros para o atendimento adequado.
Além disso, a colaboração da comunidade pode contribuir com a ciência. Por meio do projeto “Você Cientista”, os registros ajudam no estudo das espécies, sendo que exemplares coletados são encaminhados à Coleção Herpetológica do Instituto Butantan, onde passam a integrar pesquisas sobre anatomia, veneno, genética e conservação.
Para quem deseja saber mais sobre o projeto, o contato pode ser feito pelo telefone (55) 99686-6911.



