Escola do campo completa tempo memorável em Santo Augusto

A comunidade que se identifica com a Escola Estadual de Ensino Fundamental José Andrighetto está diante do seu centenário. No contexto comunal desconhecida trajetória longeva similar, pelo menos não na dimensão como a vivência congrega São Jacó.
Apontamentos históricos revelam que as aulas iniciaram em 1926. A estrutura física não passava de um arranjo tosco, cobertura de capim e paredes com pranchas de coqueiro. Norberto Rodrigues era o professor. O professor seguinte teria sido Benjamim de Oliveira.
A falta de registros da vida escolar, porém, carrega lapsos cronológicos. Percorre um longo período em que se apresentam imprecisas, esparsas e até nulas as referências sobre professores, denominação sequencial da escola e locais em que funcionou, além do caminhar da comunidade, ofertando difícil definir lógica temporal.
No governo de Leonel de Moura Brizola a escola foi oficializada, estadualizada pelo Decreto nº 12.241, de 30 de março de 1961, data que acabou adotada como referência comemorativa, sob o nome de Escola Rural Isolada São Jacó. No dia 13 de agosto de 1968 foi reclassificada pelo Decreto nº 19.818, assumindo a denominação de Escola Rural São Jacó. No mesmo ano recebeu reforço estrutural, o primeiro bloco em alvenaria com três salas de aula e dependências anexas. Já em 10 de dezembro de 1981, outra reorganização, pela Portaria nº 63.863, da Secretaria de Estado da Educação, quando passou a identificar-se como Escola Estadual de 1º Grau Incompleto José Andrighetto, em homenagem ao pioneiro benfeitor da localidade. Desde 2006 é Escola Estadual de Ensino Fundamental José Andrighetto, prosseguindo competente até hoje.
O avanço da maturidade social, intelectual, moral e espiritual do homem está relacionada à natureza dos valores, à sua capacidade de criar e ao desejo de viver em conformidade com os seus ideais. São valores significativos que indicam a razão de sua vida.
A longevidade da escola rasgou fronteiras, produziu vida prática e conduziu o homem do meio rural ao reino dos valores. Soube oferecer subsídios valiosos aos habitantes, justamente por inserida em território em que as riquezas agropecuárias desde os primórdios da colonização sempre floresceram representando o vital sustento econômico e social da gente do lugar. Fechar este tempo memorável no caminho do centenário traduz o esforço dos colonizadores, muitas vezes obrigados a arrostarem toda sorte de obstáculos no deserto demográfico das longas distâncias de antanho.

 

 

Diretora

 

Primeira doméstica

Sirlei Maria Buchanelli foi a primeira doméstica da escola. Ela foi nomeada pela Secretaria de Estado da Educação no ano de 1968 quando adicionado ao complexo educacional do campo o primeiro bloco em alvenaria. “Com a construção das salas de aula em alvenaria surgiram novas necessidades para manter a escola. A figura da doméstica então tornou-se fundamental como auxiliar na dinâmica dos dias letivos”, explica.
“Me cabia cuidar da cozinha, da ordem nas salas de aula e nas demais dependências de circulação dos professores e dos alunos. Fiz isso durante 34 anos”.
Para Sirlei Maria Buchanelli, os 100 anos da escola trazem boas lembranças. “Havia muitos alunos, mais de 200. As famílias eram numerosas. Aquela algazarra das crianças ainda ecoa na minha memória. A busca pelo saber e os esforços pela construção dos valores para alcançar o ideal da realização humana, porém, sempre, nortearam os princípios educacionais”, completa.

 

 

Escola nos dias atuais

A educação tem por objetivo geral proporcionar ao homem a formação necessária para o desenvolvimento de suas potencialidades como indutor de sua realização, qualificação para o trabalho e preparação para o exercício da cidadania. Para a atual diretora Franciele Andrade, “a data comemorativa tem conteúdo histórico dos mais expressivos”.
Professora de longa trajetória no magistério público estadual, sob permissão de vivenciar a aprazível etapa da escola do campo, acentua que “fechar este tempo memorável, 100 anos, traduz o esforço dos colonizadores em vencer toda sorte de obstáculos ao longo das décadas”.
Por profundamente vinculada ao processo educacional e ao desempenho da educação humanista visando a evolução da realidade, “entendo que a Escola Estadual de ensino Fundamental José Andrighetto superou limites, ampliou fronteiras, produziu vida prática e conduziu o homem do lugar ao reino dos valores. Hoje temos uma escola que, ao longo de 100 anos, soube se posicionar como sustentáculo da comunidade”.
A diretora, sob interpretação objetiva dos valores que dão direção à vida e auxiliam na sua organização, visualiza que “ao vaguear pelo mundo do sonho e da indagação é que surgem as oportunidades diante do homem. Nesse constelar, com o concurso de professores comprometidos com a efetiva educação de seus alunos, a escola pode festejar com justo orgulho. A escola foi competente ao longo dos 100 anos de sua história”, conclui.
ALUNOS
Arthur Mauricio Paz Gobi
Gabriel Bueno de Paula
Lauren Izabelly de Lima Santonina
Mateus Secconi Langner
Miguel Bueno de Paula
Miguel Secconi Langner
Pyetro Henrique de Lima Santonina
Rafael Bueno de Paula
Vitor Gabriel Filipin
PROFESSORES
Denise Teresinha Santi Pitol – Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Língua Espanhola, Projeto de Vida.
Elisangela Maria Laufer – Educação Física
Kelly Leticia Machado Taborda – Geografia, História e Ensino Religioso
Luis Paulo Cardoso de Castro – Ciências, práticas Integradas Sustentáveis e Agroecológicas
Rosimeri do Rosario de Vargas – Matemática
Veranice Teresinha Lauer Estopilha – séries iniciais – 1º ao 5º ano
SERVIDORAS
Ana Claudia Gobi da Silva (merendeira)
Genair Ferreira dos Santos de Oliveira (servente)
Edite Teresinha Campos (merendeira)

 

Antiga professora

Dos professores, a história coloca no centenário Nilba de Castro Steiner como remanescência antiga, hoje ainda próxima da escola. Ela iniciou ali a sua trajetória no magistério, em 1969.
Das suas reminiscências, “a transição para um bloco em alvenaria com três salas de aula e espaços anexos, construído em 1968, adentrou ao ano letivo de 1969 como algo extraordinário se posto comparativo aos rudimentos estruturais até então”, lembra.
“Carrego viva na memória o entusiasmo dominante naquele período diante da evolução, a satisfação dos pais, dos alunos e de todos quantos partícipes da causa educacional do lugar”, acrescenta.
Nilba de Castro Steiner conclui que “a escola alcançou o centenário pelo processo de ajuda que ofereceu aos alunos do campo e pelo objetivo de auxiliá-los a descobrir e a desenvolver os valores humanos. Tal processo até hoje foi conduzido pelo universo de professores que passaram pela história escolar buscando o desenvolvimento harmonioso da personalidade de cada um”, reflete.

 

 

Leave a comment
error: O conteúdo protegido !!! Este conteúdo e de exclusividade do Jornal O Celeiro.