Câmaras Municipais da Região Celeiro gastaram quase R$ 3 milhões em diárias, locomoção e cursos em 2025

Conforme levantamento feito pelo portal observador regional, entre janeiro e dezembro de 2025, os 21 Legislativos Municipais que compõem a Região Celeiro, no noroeste do Rio Grande do Sul, empenharam juntos R$ 2.914.450,63 em despesas com diárias, locomoção e inscrições em cursos de capacitação.

Os dados foram obtidos junto aos Portais da Transparência das Câmaras e consolidados na plataforma do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, órgão responsável por disponibilizar as informações ao público. A distribuição dos gastos foi a seguinte:

  • R$ 1.522.778,87 em diárias;
  • R$ 684.805,45 em locomoção;
  • R$ 706.866,31 em inscrições para cursos e capacitações.

Embora todas as despesas estejam dentro da legalidade e possam ser justificadas como investimentos em qualificação de vereadores e servidores, os números chamam atenção diante da realidade financeira da maioria dos municípios da região — marcada por orçamentos limitados, dificuldades na manutenção de serviços básicos e desafios no acesso à saúde, educação e infraestrutura.

Redentora lidera ranking de gastos legislativos EM 2025

De acordo com o levantamento, Redentora encerrou 2025 como o município com maior volume de gastos legislativos, nos itens diárias, locomoção, cursos e capacitações, seguido por Tenente Portela e Crissiumal.

Poder Legislativo de Redentora empenhou R$ 357.864,58, sendo:

  • R$ 191.250,00 em diárias;
  • R$ 70.169,58 em locomoção;
  • R$ 96.445,00 em cursos e capacitações.

O valor é quase 25 vezes superior ao registrado pela Câmara Municipal de Vista Gaúcha, considerada a mais econômica da região, que somou R$ 14.260,00 em despesas totais.

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Inhacorá tem maior gasto proporcional por habitante

Com 2.047 habitantesInhacorá foi o município com o maior gasto proporcional em relação ao número de moradores. Foram R$ 212.025,47 em diárias, locomoção e cursos — o equivalente a R$ 103,47 por cidadão.

Na outra ponta, Santo Augusto se destacou pela economicidade. Com população estimada em 14.906 habitantes, o Legislativo local registrou despesas de apenas R$ 71.198,49, o que representa R$ 5,01 por habitante.

A diferença é expressiva: Santo Augusto gastou 21 vezes menos por cidadão, mesmo possuindo uma população quase sete vezes maior.

Segundo o presidente da Câmara, Maurício Duarte (PL), a redução foi possível graças à adoção de novas práticas de gestão, como a contratação de empresas especializadas para oferecer cursos de capacitação dentro do próprio município, ampliando o acesso a vereadores, servidores e representantes do Executivo — e eliminando gastos com deslocamentos e diárias externas.

Diárias do Legislativo superam as do Executivo em três municípios

Em três cidades da Região Celeiro, as despesas com diárias do Legislativo superaram as do Poder Executivo, situação considerada atípica.

Tradicionalmente, as prefeituras possuem estrutura muito mais ampla, com secretarias e equipes técnicas que necessitam se deslocar com frequência, especialmente nas áreas da saúde e obras.

Ao todo, a região conta com 191 vereadores e um número reduzido de servidores legislativos, o que reforça o contraste observado no levantamento.

Gastos legais, mas distantes da realidade regional

Especialistas em gestão pública ressaltam que, embora os gastos estejam previstos em lei e voltados ao aprimoramento das atividades parlamentares, a proporcionalidade e a transparência são fundamentais para garantir o uso racional dos recursos.

Em uma região que enfrenta dificuldades financeiras e limitações estruturais, valores elevados com diárias e locomoção podem gerar questionamentos sobre prioridades e eficiência na aplicação do dinheiro público.

transparência é, portanto, essencial: cabe ao cidadão acompanhar nos Portais de Transparência como e por que os recursos estão sendo utilizados. Relatórios detalhados, com notas fiscais e descrições das atividades, fortalecem o controle social e permitem avaliar se os valores pagos realmente correspondem a custos justos de deslocamento, hospedagem e alimentação.

Sem clareza, o controle cidadão se enfraquece — e abrem-se brechas tanto para irregularidades quanto para injustiças administrativas.

Os números apresentados refletem não apenas estatísticas financeiras, mas também o comportamento político e administrativo de cada Câmara Municipal.

Em tempos de restrição fiscal e crescente cobrança por eficiência e ética na gestão pública, espera-se que os representantes do povo deem o exemplo de austeridade e responsabilidade, demonstrando que cada gasto representa, de fato, um investimento em benefício coletivo, e não apenas uma formalidade burocrática.

 

Fonte: Observador Regional

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