Aluna e professora partilham da mesma deficiência em Santo Augusto
Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, professora e aluna mostram que inclusão, afeto e superação transformam vidas na escola.
Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, uma história de inclusão e afeto ganhou destaque em Santo Augusto. No berçário 2 da EMEI Vaga-Lume, a rotina de ensino chega ao campo da superação, esta compartilhada entre professora e aluna.
Alcilene Silva da Rosa, de 31 anos, nasceu com toxoplasmose congênita e perdeu a visão do olho direito ainda na infância. Mesmo enfrentando barreiras e preconceitos, ela seguiu o sonho de ser educadora. Hoje, em sala de aula, ensina a pequena Victória da Silva Eleodoro, de apenas 2 anos, que também é deficiente visual. A menina nasceu com descolamento da retina por tração e ainda enfrenta uma deformidade congênita em um dos pés.
Ao receber a notícia de que teria Victória em sua turma, Alcilene não conteve a emoção.
“Foi impossível não me emocionar, porque vi na história dela muito da minha própria trajetória. Sei o quanto é desafiador crescer enfrentando limitações, mas também sei a força que nasce quando alguém acredita em nós. Quero ser esse alguém para a Victória”, contou.
Na semana passada, a turma participou de uma atividade inclusiva com música, proposta por Alcilene. Instrumentos foram levados para a sala e, por meio dos sons, texturas e formas, cada criança pôde explorar o mundo de maneira sensorial. “A Victória participou ativamente, sentindo e ouvindo. Ali todos se envolveram juntos, cada um do seu jeito, sem barreiras. Inclusão é isso”, explicou a professora.
O trabalho, no entanto, vai além da criatividade. Segundo Alcilene, é necessário planejamento, adaptação e acompanhamento constante, sempre em parceria com as monitoras Vanessa, Thaciana, Gabriela e Rose, que apoiam diariamente as atividades.
“Também precisamos cultivar nos colegas a compreensão de que a diferença não é um obstáculo. Felizmente, vejo todos acolhendo a Victória com carinho. Isso me enche de orgulho e esperança”, complementa.
Para a educadora, histórias como a dela e da aluna são lembretes poderosos do papel da escola na construção de um mundo mais justo. “Mais do que ensinar, é acreditar, acolher e mostrar que todos têm capacidade de aprender. A inclusão transforma vidas, tanto de quem recebe quanto de quem pratica”, concluiu.