Agro sustenta economia da Região Celeiro

A economia dos municípios da região Celeiro do Rio Grande do Sul mantém forte ligação com o campo, mas também revela sinais de transformação estrutural. Dados recentes de Produto Interno Bruto (PIB) e de Valor Adicionado Bruto (VAB) por setor mostram que, embora a agropecuária continue sendo o principal motor econômico em diversas cidades, centros urbanos regionais começam a ampliar o peso dos serviços e da indústria na geração de riqueza.
No conjunto dos municípios analisados, Três Passos lidera com folga o ranking econômico regional, registrando PIB superior a R$ 1,22 bilhão. Na sequência aparecem Santo Augusto, com R$ 728,4 milhões, e Tenente Portela, com R$ 614,9 milhões. As três cidades consolidam-se como polos de comércio, saúde e serviços que atendem não apenas suas populações, mas também moradores de municípios vizinhos.
O tamanho das economias locais evidencia uma concentração natural de atividades nos centros urbanos de maior porte. Enquanto Três Passos ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão em produção de riquezas, diversos municípios da região ainda operam com economias abaixo de R$ 150 milhões.
Entre os menores PIBs aparecem Barra do Guarita, com R$ 63 milhões, e São Valério do Sul, com cerca de R$ 67,8 milhões. A diferença revela o contraste entre municípios que concentram comércio e serviços regionais e aqueles cuja economia permanece fortemente vinculada ao setor primário.
PIB per capita expõe diferenças de produtividade
Quando o indicador analisado é o PIB per capita, o ranking regional muda de configuração. Municípios menores e fortemente ligados ao agronegócio aparecem nas primeiras posições.
Chiapetta lidera com R$ 67,9 mil por habitante, seguido por Coronel Bicaco, com R$ 64,6 mil, e Campo Novo, com R$ 57,7 mil.
O desempenho costuma refletir estruturas produtivas altamente mecanizadas e baseadas em culturas agrícolas de grande escala, capazes de gerar alta produção econômica mesmo com população reduzida.
Na outra ponta, municípios como Barra do Guarita e Redentora apresentam renda por habitante mais baixa, com R$ 19,9 mil e R$ 21,3 mil, respectivamente.
A análise do Valor Adicionado Bruto confirma a centralidade do agronegócio para a economia regional. Em várias cidades, a agropecuária representa a maior parcela da riqueza gerada.
Em Chiapetta, por exemplo, o setor responde por cerca de R$ 274,5 milhões, representando a maior fatia do VAB municipal. Situação semelhante ocorre em Coronel Bicaco, onde a agropecuária soma R$ 288,7 milhões, mais da metade da economia local.
Municípios como Braga, Bom Progresso, Sede Nova e Tiradentes do Sul também apresentam forte dependência do setor primário, evidenciando o papel das cadeias produtivas da soja, milho, trigo, suinocultura e produção leiteira no dinamismo regional.
Serviços ganham força nos centros urbanos
Se o campo sustenta boa parte da produção econômica regional, os serviços aparecem como o principal vetor de crescimento nos municípios maiores.
Em Três Passos, o setor movimenta aproximadamente R$ 444,8 milhões, configurando-se como o maior componente da economia local. O município também apresenta presença industrial relevante, com R$ 164,1 milhões em valor adicionado.
A mesma tendência pode ser observada em Tenente Portela e Santo Augusto, onde o comércio, os serviços e a administração pública respondem por parcela significativa da atividade econômica.

 

O valor mais antigo disponível na série histórica mostra que o Valor Adicionado Bruto de Três Passos era de cerca de R$ 191 milhões no início dos anos 2000, indicando o tamanho da economia naquele período.
O Produto Interno Bruto do município passou de cerca de R$ 191 milhões no início dos anos 2000 para mais de R$ 1,2 bilhão nos dados mais recentes, refletindo o crescimento do agronegócio regional e a consolidação da cidade como polo de comércio e serviços no noroeste gaúcho.

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