A força da mulher na agricultura

Antes de clarear o dia Juliana acompanhada do marido iniciam a lida na ordenha. A rotina diária inicia por volta das 5:30h e vai até as 7h. Hoje na propriedade têm 40 vacas em lactação. Após a ordenha tratamos as vacas em lactação e a terneirada e assim segue aproximadamente até às 9h, isso se não houver algum imprevisto.

Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a agricultora relata um pouco do seu dia a dia na propriedade localizada na comunidade Passo da Laje, interior de Santo Augusto.

Juliana Ávila, 35 anos, graduada em Pedagogia, casada, mãe de dois filhos e agricultora. A história com a agricultura iniciou em 2010 quando se casou, desde então ela assumiu o compromisso de trabalhar na propriedade que têm áreas de plantio, mas a renda mensal é oriunda da bacia leiteira. E há 12 anos a rotina da agricultora é conciliar o trabalho de ordenha que inicia pela manhã com os afazeres da casa, ser presente na vida dos filhos e ainda nos últimos 3 anos graduou-se em pedagogia.

Juliana relata as dificuldades enfrentadas diariamente, sendo que o que mais a impressionou nesses anos que trabalha e reside no campo é a estiagem deste ano, a qual vem assolando a região. A agricultora diz que “você pode ter dinheiro, mas não tem comida para comprar para os animais”, situação essa que fez com que ela “secasse” vários animais, “coloquei várias vacas de baixa produção para serem secadas, outras vendidas, para manter o foco naquelas que realmente estão produzindo e também tentar amenizar os gastos, para manter uma vaca é necessário investir nela, para depois ela te dar o retorno, isso se ela não adoecer” salienta Juliana.

Percebendo as alterações climáticas que cada vez castigam mais principalmente o setor da agricultura, Juliana optou por cursar Pedagogia, era um sonho de criança ser professora, enfrentei vários desafios durante os três anos de curso, principalmente no último ano foi ainda mais desafiador, devido minha sogra ser diagnosticada com câncer, e era eu que a acompanhava, então foi um período muito difícil, mas também de crescimento espiritual e pessoal. Tinha que conciliar os acompanhamentos no hospital, afazeres de casa, trabalho, filhos e os estudos, mas mesmo diante de tantos desafios, descobri o quanto sou forte e o quanto Deus nos dá forças para enfrentar todas as adversidades e alcançar os objetivos, no final de 2021 concluí minha graduação, “amo ser agricultora, me realizo trabalhando com as minhas vacas, porém se em algum momento tiver a necessidade de trabalhar fora para complementar a renda familiar já tenho uma formação,” finaliza Juliana.

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