Colheita da soja no RS se aproxima do final

A colheita da soja no Rio Grande do Sul se aproxima do final na maior parte das áreas. No Estado, nesta Safra 2025/2026, foram cultivados 6.624.988 hectares. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar é de 2.871 kg/ha. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (30/04), há certa desaceleração pontual da colheita, em função da elevada umidade atmosférica e da ocorrência frequente de precipitações, que limitam as janelas operacionais. Esse cenário tem mantido as plantas com alto teor de umidade, impactando não apenas o ritmo das operações, mas contribuindo para perdas qualitativas, como aumento de impurezas e grãos avariados.

 

A lavouras colhidas totalizam 79%, restando parcelas em maturação (20%) e em enchimento de grãos (1%), correspondentes a semeaduras tardias ou de segunda safra. Nessas áreas, as condições hídricas têm favorecido a formação dos grãos. Porém, há incremento na incidência de doenças, especialmente ferrugem-asiática e patógenos de final de ciclo, além de incidência de percevejos, cujo controle tem sido dificultado pelas limitações de acesso às lavouras.

 

As produtividades apresentam elevada variabilidade, refletindo a disparidade das condições hídricas ao longo do ciclo, especialmente durante o estágio crítico de enchimento de grãos. As áreas implantadas em épocas mais favoráveis e com melhor distribuição de chuvas têm registrado rendimentos muito satisfatórios, equivalente a uma safra normal. Já as lavouras afetadas por restrição hídrica, ou conduzidas em ambientes mais restritivos de fertilidade ou de compactação de solos, apresentam desempenho inferior, com perdas que superam 50% do potencial produtivo. Em alguns casos, a maturação antecipada por estresse hídrico ou manejo (como dessecação) tem contribuído para perdas adicionais por deiscência de vagens.

 

Milho – A área colhida evoluiu apenas 1% em função das chuvas e da priorização das atividades em outros cultivos, alcançando 92%. As lavouras remanescentes estão nas fases de maturação (4%), enchimento de grãos (4%) e florescimento (1%), distribuídos entre cultivos tardios e de safrinha. De forma geral, a produtividade apresenta variações moderadas, e o desempenho médio da cultura se mantém próximo ao projetado na maior parte das áreas. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média estadual em 7.424 kg/ha.

 

Milho silagem – A colheita de milho para silagem se encontra em fase final, atingindo 89% dos 345.299 hectares cultivados. As áreas remanescentes correspondem a cultivos tardios (11%), e estão em fases reprodutivas. Nessas áreas remanescentes, majoritariamente de segunda safra, há bom acúmulo de biomassa, favorecido pela adequada disponibilidade hídrica. No entanto, o excesso de umidade no momento da colheita pode comprometer a compactação e a qualidade fermentativa do material ensilado. As produtividades, em geral, continuam próximas às estimativas iniciais, na média de 37.840 kg/ha, mas houve variações em razão de déficits hídricos em fases críticas e a ocorrências pontuais de acamamento.

 

Feijão 1ª safra – A colheita foi finalizada. A produtividade média está estimada em 1.781 kg/ha pela Emater/RS-Ascar, podendo sofrer revisão negativa no fechamento da safra, devido às perdas registradas nos Campos de Cima da Serra, onde se concentra cerca de 40% da área cultivada na primeira safra. A área total semeada está estimada em 23.029 hectares.

 

Feijão 2ª safra – Os cultivos se encontram nos estádios reprodutivos de enchimento de grãos (44%) e floração (13%). As áreas em desenvolvimento vegetativo correspondem a 4%, e 21% estão em maturação fisiológica. A colheita avança lentamente, atingindo 18% da área de 11.690 hectares, condicionada à umidade dos grãos e à predominância de áreas ainda em estádios reprodutivos. De modo geral, as lavouras apresentam bom desempenho. As estimativas de produtividade se mantêm dentro de patamares satisfatórios, mas sujeitas a variações relacionadas às condições locais e à persistência de elevada umidade nas fases finais do ciclo, que podem favorecer o aumento da incidência de doenças foliares em lavouras em floração e em início de formação de grãos. A Emater/RS-Ascar projeta produtividade média de 1.401 kg/ha.

 

Arroz – A colheita do arroz no Estado está em fase final e atinge 93% da área cultivada que, segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), é de 891.908 hectares. As áreas remanescentes estão concentradas em estádios de maturação e ponto de colheita. No período, o avanço das operações foi parcialmente limitado pela ocorrência de precipitações, que elevaram a umidade do solo e dos grãos, reduzindo a eficiência operacional em determinados períodos. De modo geral, a safra apresenta desempenho produtivo elevado. As produtividades continuam em patamares satisfatórios a elevados, com adequada qualidade de grãos e rendimento industrial, apesar das variações pontuais causadas por episódios climáticos específicos. A produtividade está projetada pela Emater/RS-Ascar em 8.744 kg/ha.

 

PASTAGENS E CRIAÇÕES

 

A implantação das pastagens de inverno está em andamento em todas as regiões do Estado, com avanço variável conforme as condições meteorológicas e a umidade do solo, além de aspectos operacionais das propriedades. São realizadas semeaduras de aveia, azevém, trigo e aveia, que apresentam boa germinação, favorecida por precipitações no período. Em algumas áreas, há atrasos pontuais. As primeiras áreas implantadas mostram estabelecimento inicial satisfatório, apesar de muitas ainda não terem atingido condições de pastejo.

 

BOVINOCULTURA DE CORTE – Os animais apresentam escore de condição corporal satisfatório e desempenho compatível com o período. Em relação ao aspecto sanitário, seguem as ações de monitoramento e controle de ectoparasitas, com destaque para carrapatos e mosca-dos-chifres, além da manutenção das práticas de manejo sanitário nos diferentes lotes.

 

BOVINOCULTURA DE LEITE – Os rebanhos apresentam escore de condição corporal adequado, e houve aumento no uso de suplementação, em especial com silagem, para sustentar os níveis de produção. Referente ao aspecto sanitário, as condições estão sob controle na maior parte das propriedades, embora haja registros pontuais relacionados à qualidade do leite e às condições de higiene dos ambientes de ordenha, como na região de Ijuí, onde o tempo mais úmido provocou aumento de barro nos locais de descanso e de ordenha dos animais, dificultando a higiene das operações. As condições meteorológicas mais amenas têm favorecido o conforto térmico dos animais, favorecendo a produção de leite, a manutenção dos teores de sólidos, a maior expressão de cio e eficiência na sua detecção, com reflexos positivos nas taxas de prenhez.

 

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, os produtores intensificaram a suplementação com silagem. Seguem as ações de controle de carrapatos e prevenção de tristeza parasitária bovina. A contagem bacteriana total está, em geral, dentro dos padrões, mas há maior dificuldade em manter a contagem de células somáticas nos níveis recomendados.

 

 

Foto: Vanessa Almeida de Moraes, em Almirante Tamandaré do Sul

 

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