Colheita da soja avança na região

A colheita da soja segue avançando no Rio Grande do Sul, mas de forma desigual, refletindo as condições climáticas registradas nas últimas semanas. No Estado, os trabalhos alcançam cerca de 38% da área, enquanto na Regional de Ijuí — que abrange a Região Celeiro — o índice já supera 65% da área cultivada, apesar das dificuldades operacionais impostas pelo clima.
Na região, o ritmo da colheita foi limitado pela umidade. As operações puderam ser realizadas apenas em janelas curtas, ao longo da última semana. O excesso de umidade no solo e nas plantas impediu o avanço das máquinas no campo, impactando diretamente a logística das propriedades e o escalonamento das áreas colhidas.
Mesmo com a maturação das lavouras, técnicos observam que muitas áreas ainda apresentam retenção foliar e presença de folhas verdes, embora a maior parte das vagens já esteja madura. Essa condição tem impactado diretamente a qualidade do produto colhido. Durante a entrega, foi registrado aumento na presença de vagens e grãos verdes, o que pode resultar em descontos na comercialização e maior rigor na classificação do produto nas unidades recebedoras.
À medida que a colheita avança, também se confirma a tendência de queda nas produtividades. As primeiras áreas colhidas, favorecidas por melhores condições ao longo do ciclo, apresentaram rendimentos mais elevados, enquanto as áreas mais tardias ou afetadas por períodos de restrição hídrica registram desempenho inferior, evidenciando a influência da janela de semeadura e da distribuição das chuvas.
No município de Três Passos, as produtividades das lavouras colhidas variam entre 42 e 55 sacas por hectare, demonstrando a amplitude dos resultados dentro de uma mesma região produtiva.
Em Santo Augusto, o avanço é ainda mais expressivo, com mais de 80% da área já colhida, mantendo médias próximas de 3.180 quilos por hectare, embora também com diferenças significativas entre áreas. Dados do escritório local da Emater indicam que cerca de 10% da área cultivada é irrigada, com produtividades superiores a 90 sacas por hectare, resultado associado à maior disponibilidade hídrica ao longo do ciclo. Já 55% das lavouras, semeadas até 16 de novembro, apresentam rendimentos entre 55 e 75 sacas por hectare, enquanto as áreas implantadas em dezembro, assim como parte das que ainda restam a colher, registram produtividade inferior a 35 sacas por hectare.
Outro aspecto observado é a presença de áreas de segunda safra. Aproximadamente 6% da soja foi semeada após a colheita do milho, e essas lavouras encontram-se no estádio fenológico de enchimento de grãos, enquanto cerca de 10% a 12% das áreas ainda estão em fase de maturação, indicando a coexistência de diferentes estágios dentro do mesmo cenário produtivo.
A partir desse conjunto de fatores, o grupo técnico do município — formado por cooperativas, Secretaria da Agricultura, sindicatos, IBGE e Emater/RS-Ascar — estima uma produtividade média de aproximadamente 50 sacas por hectare, o equivalente a cerca de 3.000 quilos por hectare, consolidando os dados parciais obtidos ao longo da colheita.
Com a retirada da soja, os produtores já avançam para as próximas etapas do manejo. A distribuição de corretivos de solo tem sido intensificada, assim como o planejamento das áreas para culturas subsequentes, visando a recomposição da fertilidade e a continuidade do sistema produtivo.

Leave a comment
error: O conteúdo protegido !!! Este conteúdo e de exclusividade do Jornal O Celeiro.