A campanha de vacinação contra a gripe, iniciada em 28 de março, ainda apresenta baixa adesão na Região Celeiro, levantando preocupação às vésperas do período de maior circulação do vírus. Dados regionais apontam que apenas 9,3% do público-alvo foi imunizado até o momento, índice considerado muito abaixo do ideal pelas autoridades de saúde.
Ao todo, foram aplicadas 6.313 doses entre uma população estimada de 67,9 mil pessoas. A meta estabelecida pelos órgãos competentes é atingir 90% de cobertura, especialmente entre os grupos prioritários. Em âmbito Estadual, cerca de 474 mil doses foram aplicadas, resultando em cobertura de 11,1% entre crianças, idosos e gestantes — públicos mais vulneráveis às complicações da doença.
Embora todos os municípios estejam distantes da meta, os números revelam diferenças importantes dentro da região. Braga lidera proporcionalmente, com 14,6% de cobertura, seguido por São Martinho (13,6%) e Tenente Portela (12,3%). Na outra ponta, os índices mais baixos preocupam. Miraguaí registra apenas 3,9% de cobertura, seguido por Redentora (5,8%) e Barra do Guarita (6,8%).
Para fortalecer a campanha, a Secretaria Estadual da Saúde iniciou ontem, quinta-feira, 09 de abril, a distribuição de um novo lote com mais de 900 mil doses aos municípios gaúchos. Com isso, o Estado já soma 1,78 milhão de vacinas disponibilizadas em 2026, sendo a maior parte encaminhada às cidades.
O vírus influenza pode causar uma doença respiratória que varia de quadros leves até formas graves, com necessidade de hospitalização, especialmente entre crianças pequenas e idosos. Os sintomas mais comuns são febre alta, dores no corpo, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, tosse e cansaço intenso.
Em 2025, o impacto foi expressivo no Estado, com mais de 3,4 mil internações e 598 mortes, a maioria entre pessoas não vacinadas. Os idosos concentraram 77% dos óbitos, enquanto crianças pequenas representaram parcela significativa das internações. Neste ano, o Rio Grande do Sul já registra 107 hospitalizações e nove mortes, números semelhantes ao mesmo período anterior.
A SES destaca a importância de que as pessoas dos grupos prioritários procurem a unidade de saúde assim que a vacina estiver disponível no município. Segundo eles, a imunidade conferida pela vacina não é imediata: o organismo leva entre duas e quatro semanas para atingir o pico de proteção. “A proteção da vacina é maior nos primeiros meses e pode durar de seis meses a 12 meses, motivo pelo qual a vacinação é recomendada todos os anos”, destaca o setor.
Grupos prioritários
Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
Gestantes
Puérperas
Idosos com 60 anos ou mais
Povos indígenas
Quilombolas
Pessoas em situação de rua
Trabalhadores da saúde
Professores (básico e superior)
Profissionais das forças de segurança e salvamento
Forças Armadas
Pessoas com deficiência permanente
Caminhoneiros
Trabalhadores do transporte coletivo
Trabalhadores portuários
Trabalhadores dos Correios
População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional
Pessoas com doenças crônicas
