Brasil se prepara para iniciar testes em humanos de vacina contra dependência de crack e cocaína
O Brasil poderá dar, em breve, um passo inédito no combate à dependência química. A vacina Calixcoca, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está na fase de organização da documentação necessária para o início dos testes em humanos. A informação foi confirmada pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante um evento realizado no Espírito Santo.
Segundo o ministro, após a conclusão dos trâmites regulatórios, o imunizante poderá avançar para os ensaios clínicos, etapa essencial para avaliar a segurança e a eficácia da vacina em pessoas.
Resultados promissores em laboratório
Antes de chegar à fase clínica, a Calixcoca passou por testes pré-clínicos com resultados considerados inovadores. Os estudos demonstraram que a vacina é capaz de estimular o organismo a produzir anticorpos que se ligam às moléculas da droga, impedindo que elas alcancem o cérebro e provoquem os efeitos de dependência.
De acordo com o coordenador do projeto, Frederico Duarte Garcia, a proposta é que o imunizante seja utilizado como um suporte terapêutico para pessoas que já interromperam o uso das substâncias e buscam evitar recaídas. A vacina não elimina a dependência por si só, mas pode contribuir como ferramenta complementar dentro do tratamento.
Possível pioneirismo mundial
Caso seja aprovada após todas as fases de testes, a Calixcoca poderá se tornar a primeira vacina do mundo voltada especificamente para bloquear os efeitos da cocaína e do crack. A iniciativa é considerada promissora por especialistas, já que atualmente o tratamento da dependência química envolve principalmente acompanhamento psicológico, terapias e medicamentos auxiliares, sem uma solução imunológica específica.
Reconhecimento internacional
O projeto brasileiro já recebeu destaque fora do país. Em 2023, a Calixcoca foi vencedora do Prêmio Euro Inovação de Saúde, na categoria Destaque. A premiação reconheceu o potencial da vacina no enfrentamento da dependência química e concedeu à equipe o equivalente a R$ 2,5 milhões para apoio à pesquisa.
O avanço para testes em humanos representa um marco importante no desenvolvimento da vacina e pode abrir caminho para novas estratégias no tratamento da dependência de substâncias químicas.
Com informações do Grupo Independente
