Tempo de rodeio crioulo em Santo Augusto. Por peculiar na vida tradicionalista, a Estância de Rodeios Nerci Liberato assume ritmo e sonoridade. Quem do lugar, está providenciando estrutura para acampar e, como “no pastoreio dos sonhos cruzando a ronda do tempo”, preparando-se para recepcionar “os romeiros chegando em carretas bem toldadas, relembrando as carreteadas”, o tiro de laço e as gineteadas, quando então em estreita comunhão, “à luz da labareda, ao calor do braseiro, onde assa o churrasco e a chaleira chia, como que diante do altar onde a vida irradia” compartilhar o ritual campeiro, no versejar do poeta da estância da poesia crioula, Félix Contreiras Rodrigues.
Localização extraordinária. Magistralmente arborizada. Infraestrutura invejável. Surpreendente espaço para acampar. Estas algumas das característica que identificam um verdadeiro santuário do tradicionalismo gaúcho, a Estância de Rodeios Nerci Liberato, no Km 77 da ERS-155, cercanias da sede municipal de Santo Augusto. Seu início remete à primeira metade da década de 1980, quando a evolução do Rodeio Crioulo de Santo Augusto passou a exigir compatibilidade com a dimensão alcançada até a 5ª edição, em 1983, na Fazenda Tapera. Para dar resposta às exigências em espaço e em organização, uma área capaz de sediar as provas campeiras e artísticas, além de permitir condições para acampar e estacionar, a liderança tradicionalista optou por um terreno de 26 hectares, iniciando sobre ele um processo de arborização sem similar no Rio Grande do Sul, idealizado e executado, entre outros, pelos expoentes da tradição gaúcha Nerci Liberato da Conceição e Odilon Gomes de Oliveira, ambos em memória.
Hoje, a Estância de Rodeios detém as melhores referências no contexto tradicionalista, como singular, que permite acampar, estacionar centenas de veículos e até acompanhar as provas campeiras sob sombra proporcionada por árvores exuberantes. Da história, o 43º evento do gênero completa uma caminhada vivida por homens e mulheres na continuidade do movimento quase épico, a camaradagem irmanadora que somente a tradição gaúcha é capaz de proporcionar.
Por: Lúcio Steiner
