A frota de veículos da Região Celeiro cresceu em mais de 30,4 mil unidades na última década, passando de cerca de 75,7 mil em 2015 para 106,1 mil em 2025, um avanço de 40,2%. O ritmo de crescimento, superior ao aumento populacional do período, evidencia uma mudança estrutural no padrão de mobilidade regional e amplia os desafios para a infraestrutura urbana dos municípios.
O crescimento foi generalizado, atingindo todos os municípios do Corede Celeiro, ainda que em intensidades distintas. Enquanto cidades menores lideram o aumento proporcional da frota, os polos regionais concentram o maior volume absoluto de veículos, pressionando o sistema viário, a oferta de estacionamento e a segurança no trânsito.
O maior crescimento percentual da frota foi registrado em Barra do Guarita, com alta de 75% em dez anos. Em seguida aparecem Esperança do Sul (56,5%), Redentora (56%), Vista Gaúcha (52%) e Tenente Portela (51,3%).
O avanço expressivo em municípios de menor porte ocorre, em grande parte, sobre uma base inicial reduzida, mas provoca impacto proporcional elevado na malha urbana. Ruas estreitas, tráfego misto e ausência de vias alternativas tornam-se gargalos frequentes, exigindo investimentos que nem sempre acompanham a velocidade da motorização.
Na outra extremidade, Humaitá apresentou o menor crescimento percentual, com 31,9%, seguido por Bom Progresso (32,7%), Três Passos (33,7%) e Crissiumal (34%). Ainda assim, os índices são considerados elevados e refletem uma tendência regional de expansão contínua da frota.
Veículos crescem mais rápido que a população
O cruzamento entre os dados de frota e população revela que o número de veículos aumentou em ritmo superior ao crescimento demográfico da Região Celeiro. O resultado é uma maior taxa de motorização por habitante, indicando mudança no comportamento de deslocamento e maior dependência do transporte individual.
Em municípios com forte presença rural, o veículo deixou de ser apenas meio de locomoção e passou a desempenhar papel estratégico como ferramenta de trabalho, especialmente no agronegócio. Caminhonetes e utilitários ganham espaço na frota, contribuindo para o aumento do número de veículos e do valor patrimonial circulante.
Infraestrutura urbana sob pressão
O avanço acelerado da frota amplia desafios históricos da mobilidade urbana. Entre os principais problemas estão saturação das vias centrais, escassez de vagas de estacionamento, aumento do risco de acidentes, conflitos entre veículos, pedestres e ciclistas.
Além disso, o crescimento do transporte individual ocorre em um cenário de baixo investimento em alternativas sustentáveis, como transporte coletivo, ciclovias e qualificação das calçadas, o que tende a agravar os impactos urbanos e ambientais.
Especialistas alertam que, mantido o ritmo atual, a frota regional pode crescer mais 20% na próxima década, tornando o planejamento da mobilidade um tema estratégico também para municípios de pequeno porte.
A diretora de Trânsito de Três Passos, Jenifer Tais Sipp Klein, ressalta que o município trabalha na elaboração de um Plano de Mobilidade Urbana, a fim de organizar, planejar e qualificar os deslocamentos na cidade. Ainda segundo ela, a ideia é realizar um diagnóstico detalhado da atual situação, com levantamento dos pontos críticos de circulação, identificação das áreas com maior incidência de congestionamentos, análise de conflitos entre veículos, pedestres e ciclistas, bem como a avaliação da oferta de estacionamento, especialmente na região central.
“Serão iniciados estudos para a possível implementação do estacionamento rotativo, como forma de otimizar o uso das vagas públicas, ampliar a rotatividade, facilitar o acesso ao comércio local e reduzir a permanência prolongada de veículos nas vias centrais. O plano também contempla propostas de melhorias na sinalização viária, na segurança do trânsito e em medidas que promovam um sistema de mobilidade mais fluido, seguro, acessível e sustentável para todos os usuários, priorizando o planejamento adequado e a organização do crescimento da cidade de Três Passos”, explicou a diretora.
O Plano de Mobilidade Urbana tem previsão de ser concluído em até seis meses após sua contratação, ocorrida em novembro de 2025. “Durante esse período, serão estudados de forma técnica e integrada os principais problemas relacionados à mobilidade urbana, como congestionamentos, cruzamentos com alto índice de conflitos, velocidades praticadas nas vias, organização do tráfego e segurança viária, sendo apresentadas possíveis soluções e diretrizes para cada situação identificada”, finaliza.

