Principais culturas do RS apresentam bom desenvolvimento e expectativa positiva na Região Celeiro
Segundo o boletim da Emater/RS-Ascar, as principais culturas agrícolas do Rio Grande do Sul seguem apresentando, de modo geral, bom desenvolvimento nesta etapa da safra, embora as altas temperaturas e grande amplitude térmica exijam atenção redobrada dos produtores, especialmente quanto ao manejo hídrico e fitossanitário.
Na cultura da soja, a semeadura já alcança cerca de 98% da área prevista no Estado e deve ser concluída nos próximos dias, impulsionada pela reposição pontual de umidade no solo. Em termos de estádios fenológicos, aproximadamente 42% das lavouras estão em fase vegetativa, 46% em floração e 12% em enchimento de grãos. O predomínio de tempo seco, aliado a mínimas abaixo de 10 °C e máximas próximas a 40 °C, tem aumentado a demanda evaporativa e reduzido a umidade dos solos. Em áreas mais rasas ou arenosas, lavouras em floração e início de enchimento de grãos já apresentam sinais de estresse hídrico, o que pode impactar a fixação de vagens caso a restrição persista. Ainda assim, o potencial produtivo da safra permanece considerado elevado, desde que as chuvas se regularizem.
O boletim destaca que o clima quente e seco tem limitado a ocorrência de doenças foliares, porém continuam sendo necessárias aplicações preventivas contra a ferrugem-asiática, especialmente em áreas em estádio reprodutivo. Também há registro de aumento pontual de insetos-praga, como percevejos, tripes e ácaros, reforçando a importância do monitoramento. Para a safra 2025/2026, a projeção da Emater/RS-Ascar é de 6,74 milhões de hectares cultivados no Estado, com produtividade média estimada em 3.180 kg por hectare.
Na Região Celeiro, as lavouras de soja apresentam bom desenvolvimento foliar e sanidade, com 57% em floração, 41% em fase vegetativa e 2% em formação de grãos. O período mais quente e seco favoreceu a presença de ácaros e tripes, exigindo intervenções específicas.
Em relação ao milho, as lavouras apresentam estádios variados devido ao plantio escalonado e ao cultivo de safrinha. Predominam áreas em enchimento de grãos (25%) e maturação fisiológica (28%). A escassez de chuvas em parte do período acelerou a senescência em lavouras de sequeiro, podendo afetar o peso dos grãos. Por outro lado, a elevada radiação solar beneficiou lavouras com boa disponibilidade de água, especialmente as irrigadas. A colheita avança gradualmente e já alcança cerca de 28% da área no Estado.
Na Região Celeiro, mais da metade das lavouras de milho está em maturação e 33% já foram colhidas. As produtividades variam entre 8.400 e 9.000 kg/ha nas áreas de sequeiro e chegam a 12.000 kg/ha nas áreas irrigadas. Há relatos de alta presença de cigarrinha-do-milho em alguns locais, o que demanda atenção dos produtores.
Para o feijão 1ª safra, a semeadura está tecnicamente concluída na maior parte do Estado, com exceção dos Campos de Cima da Serra, onde se aproxima de 70% da área planejada. A colheita já supera 60% em diversas regiões, favorecida pelo tempo seco, e as lavouras apresentam boa sanidade. Contudo, os preços baixos do grão podem refletir em redução de área na safrinha e na próxima safra. A projeção é de 26.096 hectares cultivados e produtividade média de 1.779 kg/ha. Na Região Celeiro, mais de 65% da área foi colhida, 11% estão em enchimento de grãos e 23% em maturação.
No segmento de olerícolas, segundo o boletim da Emater/RS-Ascar, as culturas seguem em desenvolvimento na Região Celeiro. O tempo seco tem favorecido os tratos culturais e o manejo do solo nas áreas a céu aberto. Destaca-se o bom desenvolvimento da mandioca e a intensificação da comercialização de milho-verde às margens das rodovias. Em locais com menor volume de chuvas em períodos anteriores, a baixa umidade do ar tem favorecido a ocorrência de ácaros, exigindo acompanhamento técnico.
Apesar dos desafios climáticos, o cenário geral ainda é considerado positivo, mas a manutenção do bom potencial produtivo das culturas depende da regularização das chuvas nas próximas semanas.
