PP gaúcho indica aliança com o PL para 2026 e sinaliza saída do governo Eduardo Leite

Após uma sequência de divergências internas, o diretório estadual do Progressistas (PP) do Rio Grande do Sul aprovou, nesta terça-feira, um indicativo político para as eleições de 2026: a construção de uma aliança com o PL, partido que tem o deputado federal Luciano Zucco como pré-candidato ao governo do Estado, e o afastamento do governo de Eduardo Leite (PSD). A decisão foi tomada em reunião do diretório e coloca o presidente estadual da sigla, deputado federal Covatti Filho, como líder do projeto.

De acordo com informações do Correio do Povo, a reunião ocorreu sem quórum completo. Dos integrantes aptos a votar, 120 participaram, entre titulares e suplentes, enquanto 53 não compareceram. A ausência fez parte de um movimento de boicote previamente anunciado por lideranças que defendiam mais tempo para o debate interno, entre elas deputados estaduais e federais, um senador e o presidente de honra do partido, Celso Bernardi.

Mesmo com as ausências, o resultado foi amplamente favorável à atual direção. Covatti Filho recebeu 109 votos para liderar o projeto partidário, contra oito destinados ao deputado estadual Ernani Polo, que também era cogitado como alternativa. A aliança com o PL foi aprovada por 107 votos, enquanto uma eventual composição com o MDB obteve apenas dois votos.

Outro ponto aprovado foi o indicativo de saída do governo Eduardo Leite, defendido por 91 votantes. O momento e a forma desse desligamento, porém, ainda não foram definidos. Atualmente, o PP ocupa duas secretarias no governo estadual — entre elas a de Desenvolvimento Rural, comandada por Vilson Covatti, pai do presidente estadual — além da liderança do governo na Assembleia Legislativa, exercida pelo deputado Frederico Antunes.

Após a votação, Covatti Filho afirmou que o partido não tem compromisso automático de permanência no governo até o fim do mandato. Segundo ele, apesar da participação do PP em diferentes gestões estaduais, há avaliações internas de que o governo poderia ter adotado caminhos distintos em temas sensíveis, como a política de pedágios.

O presidente estadual também ressaltou que as decisões aprovadas têm caráter indicativo e não possuem validade jurídica, já que a definição oficial das alianças ocorrerá apenas durante as convenções partidárias, entre junho e julho de 2026. Ainda assim, Covatti defendeu que tanto o resultado da votação quanto consultas realizadas com prefeitos, vereadores e lideranças municipais demonstram a vontade majoritária da base partidária.

Durante coletiva de imprensa, Covatti buscou minimizar o racha interno e afirmou que trabalhará pela unidade do partido. Ele também reforçou a legitimidade do processo, destacando que não houve contestação quanto ao método da reunião, apenas pedidos de adiamento por parte do grupo dissidente.

O acordo aprovado com o PL estabelece que ambos os partidos mantenham seus pré-candidatos ao Palácio Piratini. Em março, pesquisas eleitorais deverão definir qual nome será o mais competitivo para encabeçar a chapa. O outro partido ficaria com a vaga de vice e uma das posições na disputa ao Senado. Covatti ainda anunciou que pretende dialogar com outras siglas do campo da direita para ampliar o arco de alianças.

Segundo o dirigente, o movimento está alinhado com a estratégia da direção nacional do PP, que busca a construção de um palanque de direita nos estados para a eleição presidencial de 2026. Apesar disso, pesquisas internas indicam que a base do partido demonstra preferência por um nome de centro-direita, e não necessariamente por um candidato diretamente vinculado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Foto : Alina Souza

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